Trabalho Territorial

Como forma de aprofundar os laços entre a Nossa América e a Alemanha, propomos desenvolver uma militância que tem como horizonte uma nova configuração política e social do espaço onde se desenvolve a vida dos setores populares. Acreditamos que disputar a hegemonia e o desenvolver novas formas de resistência anda de mãos dadas com a aproximar-nos ao que a sociedade define como alteridade ou o que está à margem, e trabalhar especialmente com os setores mais empobrecidos, entendendo como esta situação afeta as identidades e os corpos.

Nossas tarefas de dar visibilidade e promover a solidariedade internacional nos colocaram em contato com diversas lutas, a maioria das quais tem uma dimensão territorial.

Queremos abordar o trabalho territorial a partir da tensão entre a inclusão social e a politização contra-hegemônica. Sabemos que esta tensão não só não é redutível, como é sobretudo uma das potencialidades revolucionárias da militância territorial.

No âmbito do Bloco Latino-americano, formamos um grupo de trabalho territorial permanente no final de 2019, o qual, após um exercício de definição de interpretações e conceitos, traçou um plano de trabalho para 2020. O projeto a ser realizado este ano visa ajudar a construir pontes entre o campo e a cidade e entre os movimentos urbanos e rurais.

Vamos nos concentrar nas problemáticas campesinas e agrárias da região de Brandenburgo, procurando ligar essas práticas à nossa militância diária em Berlim. Estabelecemos contato com grupos de camponeses para conhecer suas realidades, ver quais são suas necessidades e como podemos contribuir a partir de nossa especificidade migrante. Nessas reuniões pudemos estabelecer prioridades (como visitar seus campos e seu trabalho durante o inverno), assim como nos colocarmos à disposição para dar uma mão no que for necessário em suas atividades futuras. O principal objetivo será estabelecer um trabalho conjunto com companheirxs que militam na zona rural, trocar perspectivas e fortalecer laços.