
Querides companheiras, companheiros e companheires de luta,
Não há nada de novo que dizer sobre a narrativa ianque e sua suposta guerra contra o narcotráfico, muito menos sobre sua parodia de defensores da democracia no mundo. Sabemos bem que o diabo vive na sua própria casa. A história e os fatos demonstraram repetidamente, à custa do assassinato, desaparecimento e deslocamento forçado de milhões de pessoas em todo o nosso planeta. Antes, a desculpa era a guerra contra insurgente, agora é a guerra contra as drogas. O manual e o mesmo, mas com outro título. O cheiro de enxofre está por toda parte.
Sabemos que antes que se cometam os piores crimes contra a humanidade, o imperialismo e sua máquina midiática iniciam um processo de desumanização das vítimas de sua agressão. Além disso, sabemos bem que vivemos na era da pós-verdade, quando barcos de pescadores cruzando o mar do Caribe, visivelmente desarmados, podem ser considerados narcotraficantes que ameaçam a integridade da sociedade estadunidense e, portanto, podem ser bombardeados. O resultado é de mais de 80 pessoas assassinadas extrajudicialmente, os poucos sobreviventes foram presos e logo liberados pela falta de provas que os incriminem.
Nao costumamos falar de números em discursos, mas desta vez queremos mencionar alguns números que consideramos importantes no contexto de economia da guerra. Em 2023 e 2024, de um total de lucro por venda de armas das 100 principais empresas do mundo, 49% da receita foram para empresas ianques, 22% para empresas europeias, 13% para empresas chinesas, 4,6% para empresas russas e 2,4% para empresas israelenses. A América Latina não tem empresas de armas que tenham uma porcentagem significante entre as 100 primeiras empresas mais importantes mundialmente. Em 2025, esses números são muito mais altos, como demonstram os lucros avassaladores, os anúncios de investimentos maciços por parte dos próprios governos e os discursos cada vez mais recorrentes sobre militarização. Não é preciso dizer que a maioria das pessoas que morrem no mundo são assassinadas com essas armas, em contatos de guerra, genocídio, violência policial e paramilitar.
Trazemos estes números para um discurso porque já nos cansamos de falar sobre direito internacional, direitos humanos e democracia. Que falem estes números. A violência imperial, os genocídios sionistas nos demonstraram que somos nós, pobres, migrantes, as mulheres e dissidências os corpos descartáveis do sistema. Nossos povos são considerados descartáveis e não têm direitos. Que fale o povo palestino, que falem as favelas do Rio de Janeiro, que falem os meninos de Guayaquil, que falem os 80 pescadores assassinados sob a impunidade e o silencio de todas as instituições internacionais de direitos humanos e defesa das democracias. A cara dos nossos inimigos é cada vez mais clara. Eles são a morte e a ganância, nós a vida e a dignidade.
A corrida armamentista é a resposta à perda de poder econômico e político dos Estados Unidos e seus aliados submetidos. É simultaneamente a resposta económica e militar para garantir sua própria produção. O desenvolvimento da tecnologia armamentista precisa de terras raras, petróleo, gás, e portanto, precisa garantir seu controle sobre o saqueio das riquezas em seu “quintal”. Recursos que são propriedade da humanidade e da natureza.
A elite económica política dos Estados Unidos alcançou o objetivo que a Europa se rearme massivamente e que as grandes maiorias, temendo uma invasão russa, considerem o rearme necessário. Os números, os fatos e a história pedem outra leitura. Agora, o próximo objetivo dos Estados Unidos é garantir o domínio sobre a América Latina, seus recursos e territórios. Controlar a países sobreranos para que não possam decidir sobre seus recursos e projetos econômico-políticos e negociações com outros países, sobretudo China, e Rússia.
São muitas as agressões imperialistas yankees no Caribe e em toda a nossa América, também são muitos os traidores como Machado, que pedem a gritos uma invasão militar estrangeira em seu próprio país, demonstrando mais uma vez que pouco lhe importa a vida e o destino do povo venezuelano. Nós queremos focar-nos na tarefa que temos como classe nessa etapa e na esperança que nos dá a América Latina como continente de paz e sem armas nucleares. A américa latina forjou seu destino em resistência contra o colonialismo, a escravidão, a burguesia nacional e o imperialismo. São mais de 500 anos de memória e luta. Somos um povo em rebeldia, um povo valente. Defendemos nossos rios, nossos filhes e revoluções com toda a forca dos nossos ancestrais. E seguiremos!
Nestes termos, fazemos o nosso primeiro chamado: Viva a América Latina unida e soberana contra o imperialismo! Fora, ianques!
Nosso segundo chamado é para os países europeus e a para a Alemanha em particular, de entrelaçar nossas lutas contra a destruição de nossos territórios pelos interesses das classes dominantes.
Nosso terceiro chamado é mudar a perspectiva de uma suposta divisão do mundo entre o eixo do mal: com ditaduras, terroristas, narcotraficantes e o eixo do bem: com democracias salvadoras. Propomos dividir o mundo de acordo com o interesse das maiorias contra as minorias, o 99% contra o 1%, a vida contra a destruição. Portanto, chamamos a resistência popular no mundo todo. Que viva o internacionalismo!
Nosso quarto e último chamado é para seguir nos organizando, seguir lutando por um mundo onde não há fome, guerra, onde como seres humanos podemos viver livremente em comunidade, em harmonia com a natureza. Como parte da classe trabalhadora precarizada somos críticos a um governo que não representa as maiorias, não compartilhamos a proposta política de Maduro. Mas isso não nos impede e nunca nos impedirá de se solidarizar com o povo venezuelano, isso não nos impede de gritar alto e claro: Fora ianques da América Latina! Fora Machado de Berlin e América Latina! Desde Gaza a Abya Yala – viva Venezuela, Viva Colombia libre e soberana!

Uma resposta em “Nosso discurso no protesto anti-imperialista de 11.12.2025”
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